Na minha qualidade de Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, quero manifestar o mais vivo repúdio pela despropositada e ilegal condução coercitiva de que foi vítima o Reitor e a equipa reitoral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quero ao mesmo tempo testemunhar a mais veemente solidariedade a estes acadêmicos íntegros e quero pedir-lhes, em nome da comunidade acadêmica internacional, que não se deixem intimidar por estes atos de arbítrio por parte das forças anti-democráticas que tomaram conta do poder no Brasil.

Eles sabem bem que nada disto tem a ver pessoalmente com eles enquanto indivíduos, pois sabem que não há nenhuma razão jurídica que justifique tais ações. Os atos de que são vítimas visam, isso sim, desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização.

Estamos certos que estes desígnios não se cumprirão, pois a resistência da comunidade acadêmica e do conjunto da cidadania democrática brasileira a tal obstarão.

O Reitor da UFMG e a sua equipa reitoral estão agora na linha da frente dessa resistência e merecem por isso não apenas a nossa solidariedade, mas também todo o nosso respeito.

Coimbra, 6 de Dezembro de 2017
Boaventura de Sousa Santos
Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

Livros recentes:

Justicia entre Saberes. Epistemologías del Sur contra el epistemicidio (Ediciones Morata, 2017); Épistémologies du Sud. Mouvements citoyens et polémique sur la science (Éditions Desclée de Brouwer, 2016); If God Were a Human Rights Activist (Stanford University Press, 2015); Epistemologies of the South. Justice against Epistemicide (Paradigm Publishers, 2014); Revueltas de Indignación y Otras Conversas (La Paz, 2015); O Direito dos Oprimidos (Editora Almedina/Editora Cortez, 2014); A Justiça Popular em Cabo Verde (Editora Almedina/Editora Cortez, 2015).

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