Com mais de uma década de trabalho, um grupo de voluntários da UFSC ressignifica o ambiente hospitalar através da palhaçoterapia

 

Eles percorrem os corredores do Hospital Universitário da UFSC, vestidos de médicos com um jeitinho todo cômico de ser. Nariz vermelho de borracha, jaleco branco com seu nome de palhaço: são os Terapeutas da Alegria, ou mais precisamente os TA’s, como gravado em cada jaleco. Desde 2007 eles atuam na UFSC, proporcionando aos pacientes um pouco de diversão no ambiente hospitalar, lugar que muitas vezes aparenta ser apenas de espera pelos resultados médicos e diagnósticos.

O T.A. faz parte do NUHAS (Núcleo de Humanização, Arte e Saúde), um programa de extensão do Departamento de Saúde Pública da UFSC. Eles atuam como voluntários e, por isso, o tempo de permanência pode variar. Alguns ficam apenas um semestre, outros trabalham durante todo o período de capacitação. O curso de formação acontece em três semestres e, a partir da segunda fase de formação, os T.A.s já podem atuar nos hospitais. Isso faz com que se habituem às relações hospitalares, pois nem todos são da área da Saúde. São estudantes de diversos cursos de graduação da UFSC, outros apenas membros da comunidade, que interagem com pessoas internadas em hospitais. Atualmente, o projeto intitulado Terapeutas da Alegria tem sido realizado apenas no HU, com a possibilidade de fechar parceria com o Hospital de Florianópolis, no bairro estreito.

O projeto surgiu na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, quando um estudante de medicina decidiu usar técnicas de palhaçoterapia na rotina do hospital e nas práticas médicas. A ação foi apoiada também por um grupo de estudantes, colegas de faculdade, que se reuniam para desenvolver estudos de palhaçoterapia e práticas de artes cênicas e artísticas para os hospitais. Com esse grupo formado, eles começaram a realizar visitas nos hospitais. Aos poucos, o projeto ganhou nome e se estruturou, e a partir desse grupo surgiram as primeiras visitas, assim outros profissionais da Saúde quiseram aplicá-lo também em suas universidades. Foi o caso da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e, posteriormente, a UFSC. Na Federal, o projeto começou em 2007, com a ajuda da pedagoga Rosiléa Rosa, que na época era docente da Unisul e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFSC. Ela propôs que o projeto fosse aplicado também no HU, com a ajuda do médico Thiago Demathé e do estudante Gustavo Tanus, ambos da Unisul. A primeira seleção do projeto teve 40 participantes e eles atuaram como voluntários, assumindo a identidade de Dr. Palhaço, no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, visitando crianças internadas. Atualmente, o projeto é coordenado pelo professor Walter de Oliveira Ferreira e envolve estudantes e comunidade.

A ação não é isolada e exclusiva da Federal. Ela é desenvolvida por outras equipes em hospitais espalhados pelo país, que utilizam a palhaçoterapia e a relação com o teatro do oprimido como metodologia para levar o trabalho de humanização aos locais de internação. A proposta também não é brasileira. Surgiu em 1980 com o oncologista infantil Patch Adams, que influenciou muitos médicos pelo mundo a buscarem a melhoria do ambiente hospitalar e a relação médico paciente.

Para ler mais, confira a reportagem na íntegra: https://suelenrocha.atavist.com/os-terapeutas-do-abraco.

A reportagem conta a história de três Terapeutas da Alegria sobre a vivência nos hospitais, as emoções e as recompensas de dedicarem seu tempo livre para levar alegria aos pacientes, acompanhantes e à equipe médica. A matéria foi produzida como produto final da disciplina redação IV, do curso de Jornalismo – UFSC.

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