O estudo faz uma análise da tendência temporal da mortalidade por suicídio de adolescentes no país, em um período de 15 anos, de acordo com as macrorregiões brasileiras

O estudo Time Trends in Suicide Mortality Among Adolescents in Brazil, 2000-2015, desenvolvido pela estudante de medicina Júlia Cicogna e pela mestre em Saúde Coletiva, Danúbia Hillesheim, será apresentado na AACAP’s 65th Annual Meeting (65ª Reunião Anual da AACAP) da The American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, em Seattl, EUA. O trabalho tem como orientação a professora Ana Luiza Curi Hallal, do Departamento de Saúde Pública – SPB.

O evento ocorre durante os dias 22 a 27 de outubro de 2018, no Washington State Convention Center, e conta com a participação de mais de 4 mil profissionais da Saúde. O trabalho será apresentado no dia 27 de outubro, em formato New Research Poster, com a presença da professora e orientadora Ana Luiza Curi Hallal e a acadêmica Júlia Isabel Richter Cicogna.

Resultado do Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Medicina, da acadêmica Júlia Isabel Richter Cicogna, o estudo traz dados relevantes e seus resultados podem subsidiar futuras políticas públicas sobre o tema. Além disso, a participação em um evento internacional, pode contribuir com a discussão do assunto com profissionais de todo o mundo. As autoras esperam que o conhecimento deste fenômeno no Brasil e em cada macrorregião brasileira, possa auxiliar no direcionamento e avaliação das políticas públicas e estratégias de prevenção ao suicídio. Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados, através, principalmente, do acolhimento humanizado e sem julgamentos.

Pesquisa e resultados

De acordo com a pesquisa e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é um grave problema de saúde pública no mundo inteiro. Estima-se que 815 mil pessoas se suicidaram no ano de 2000. No Brasil, dados do mapa da violência apontaram que, de 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou em 40%. Diante desses dados e do cenário de vulnerabilidade e a suscetibilidade ao suicídio na fase da adolescência, como resposta a diversos conflitos, as autoras decidiram investigar sobre a mortalidade deste fenômeno, a fim de contribuir com o direcionamento de estratégias de prevenção contra o suicídio em diferentes macrorregiões brasileiras.

Na investigação, constataram que nas regiões norte e nordeste do Brasil houve tendência de aumento da mortalidade por suicídio entre o sexo masculino e em ambos os sexos. “Ao analisarmos o Brasil como um todo, observamos o mesmo comportamento das regiões descritas anteriormente”, relatam. Especificamente no sul do país, as autoras observaram que não houve oscilação no período estudado, como crescimento ou diminuição. Embora isso, a região sul, apresentou-se como segunda região com mais mortes por suicídio no período, perdendo apenas para a região centro-oeste.

Para que chegassem a essas constatações, realizaram um estudo descritivo da tendência temporal das taxas de mortalidade segundo sexo e macrorregiões brasileiras, em um período de 15 anos. Foram investigadas as mortes por Lesões Autoprovocadas Intencionalmente, X60-X84 – de acordo com a 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10). “Calculamos as taxas de mortalidade para a população adolescente (10 a 19 anos) e após isso, realizamos a análise estatística de repressão linear simples, para compreender melhor o comportamento deste fenômeno”, descrevem. A classificação CID-10 pode ser encontrada no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), importante sistema de vigilância epidemiológica nacional.

Outras pesquisas

O tratamento com o tema já foi objeto de estudo de outro Trabalho de Conclusão de Curso, mas o estudo tinha como objetivo descrever a tendência temporal da mortalidade por lesões autoprovocadas intencionalmente na população adulta do Brasil, segundo macrorregiões e sexo nos anos de 2000 a 2015, mesmo período do estudo a ser apresentado em Seattl. O trabalho foi desenvolvido pela estudante Sasckia Kadishari Medeiros Duarte e também sob orientação da professora Ana Curi e os resultados revelaram que as maiores taxas de mortalidade estão nas regiões sul, centro-oeste, sudeste, norte e nordeste, respectivamente. Dessa forma, os resultados demonstraram uma tendência significativa de crescimento da mortalidade por lesões autoprovocadas intencionalmente nas macrorregiões norte, nordeste e sudeste e Brasil geral e tendência de diminuição para macrorregiões sul e centro-oeste.

 

 

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