Há muito tempo as tecnologias têm ajudado o setor saúde a evoluir e a pensar em novas soluções para problemas antigos e recentes. Um grande exemplo de como essas inovações podem ajudar os profissionais de saúde e também os usuários dos serviços de saúde é o Sistema de Catarinense de Telemedicina e  Telessaúde (STT).

O Telessaúde é um projeto nacional do Ministério da Saúde desenvolvido em quase todos os estados brasileiros, com foco na educação permanente e no apoio à tomada de decisão dos profissionais que atuam em diferentes níveis de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS).  Em Santa Catarina, o STT  é desenvolvido por meio da parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com a promoção do Departamento de Saúde Pública (SPB) e do Departamento de Informática (INE). e a  Secretaria de Estado da Saúde (SES), a partir da Gerência de Atenção Básica à Saúde (Geabs).

Todas essas instituições trabalham juntas para melhorar a qualidade da saúde pública a partir de duas importantes estratégias: a educação permanente dos profissionais do SUS e o apoio aos diagnósticos realizados por eles em suas rotinas de trabalho. Todo esse suporte é oferecido de forma gratuita e rápida por meio dos serviços do STT disponíveis em seu site.

Na prática isso significa que os profissionais podem contar com inúmeras ferramentas para facilitar sua rotina de trabalho. Imagine, por exemplo, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com uma enorme fila de espera de pessoas para serem atendidas. Sabe como o STT pode ajudar? Por meio dos serviços de Tele-consultoria a equipe dessa unidade podem solicitar um acompanhamento de um consultor especializado em processos de trabalho, que irá desenvolver estratégias para melhorar o agendamento da UBS e evitar filas. Já a área de Tele-educação é responsável por inúmeras webpalestras e vídeo-aulas que visam capacitar os profissionais a atuar nessas situações, além de minicursos online sobre temas relevantes para a rotina dos trabalhadores da saúde.

E a contribuição do STT não se limita a isso. Os mesmos pacientes que aguardavam na fila, uma vez atendidos, entram em outra espera: para serem encaminhados às devidas especialidades. Com o serviço de Tele-diagnóstico, o tempo de espera para esse encaminhamentos em Santa Catarina reduziu drasticamente. Isso porque os exames realizados nas unidades e nos demais centros de saúde podem ser enviados via internet e laudados à distância pela equipe de profissionais do STT. Esse exame laudado retorna para o profissional da UBS com o resultado, a classificação de risco do paciente e a orientação sobre o andamento que deve ser dado em cada situação. Isso irá impactar na agilidade de resolução dos casos e na diminuição de encaminhamentos desnecessários aos demais níveis de atenção do SUS, reduzindo significativamente a fila de espera.

A coordenadora do núcleo de Telessaúde e professora do SPB,  Maria Cristina Calvo, acredita que o  projeto tem um grande impacto para o profissional da Atenção Básica, pois é importante para esse perceber que tem um apoio, mesmo em locais distantes, já que a rede se distribui em todo estado. O Telessaúde também é importante para a área da saúde coletiva, pois incentiva a construção de conhecimento, “já que, ao mesmo tempo em que existem as dúvidas desses profissionais, há pessoas desenvolvendo soluções”, afirma Calvo.

Os números do projeto impressionam e confirmam os efeitos que ele tem na saúde pública. Segundo dados apurados até junho de 2015, o Telessaúde atende 100% dos municípios catarinenses. Além disso, há 2375 profissionais certificados em minicursos a distância desde 2010 e mais de 66 mil participações em webconferências desde 2009.  Na prática, isso também é sentido: mais de 600 mil exames laudados e 1311 pontos de telessaúde foram implantados para atender aos pacientes.

 

Teleconsultorias na prática dos profissionais


Um exemplo de soluções oferecidas pelo Telessaúde e que impactam diretamente na rotina do profissional de saúde é o trabalho desenvolvido pela equipe de teleconsultores. Eles atuam em duas vertentes: dar apoio para as equipes de Saúde da Família (sSF) e auxiliar em sua constante qualificação.

A equipe de Tele-consultoria do Telessaúde é composta por profissionais com experiência voltada para Saúde da Família, responsáveis por analisar e responder, de forma qualificada, as dúvidas que profissionais têm durante o atendimento no seu cotidiano de trabalho. Essas dúvidas podem ser relacionadas ao diagnóstico, ao encaminhamento do paciente e às melhores alternativas de tratamento para cada caso. A preocupação dos teleconsultores é que a resposta elaborada seja atual, embasada nas melhores evidências e que estimule a resolubilidade da Atenção Primária à Saúde (APS). Luana Gabriele Nilson, apoiadora na Tele-consultoria, afirma que o objetivo é dar apoio às equipes e, ao mesmo tempo, qualificá-las.

Desde que o Telessaúde foi criado em 2009*, as teleconsultorias eram feitas por oferta, ou seja, quando o profissional tivesse uma dúvida no atendimento ao paciente e nos diagnósticos, ele poderia entrar em contato para resolvê-la. Contudo, a equipe percebeu que dessa maneira a teleconsultoria acabava sendo pouco utilizada e, em 2015, realizou uma articulação maior com as centrais de regulação dos municípios  – responsáveis por controlar o acesso ao atendimento especializado, como cardiologia, dermatologia, etc. Dessa forma, antes de decidir sobre os encaminhamentos, o profissional de saúde passa necessariamente pela avaliação do teleconsultores,  que classificam o risco de cada caso e dão uma resposta com aporte teórico e orientam se a pessoa deve ser enviada a outros níveis de atenção ou ser tratada diretamente na Atenção Básica.

Segundo o coordenador da Articulação com Municípios e Apoio à Regulação, Marcos Aurélio Maeyama, quando o profissional de saúde tem esse tipo de suporte e aprende a resolver um determinado caso, refletirá melhor futuramente sobre os demais encaminhamentos que realizar. Por isso, o impacto da atuação do Telessaúde é sentido, em especial, pelo usuário do serviço de saúde pública, já que esse evita deslocamentos desnecessários e só é encaminhado para especialistas quando realmente for preciso.

É o que vem acontecendo na cidade de Joinville, um exemplo da atuação bem sucedida do projeto. Hoje, só na área de endocrinologia, há uma média de 60 a 70 solicitações de teleconsultoria por mês. Na ortopedia, o número de pedidos de teleconsultoria já passou de 300 em um único mês. Em um levantamento foi revelado que de cada 10 solicitações na endocrinologia, pelo menos 5 podem ser resolvidas na própria UBS com o apoio da teleconsultoria, sem necessidade de encaminhar o paciente para uma consulta com o especialista. Na ortopedia, a cada 10, 4 podem ser atendidas apenas com o suporte do teleconsultor. Mais que números, o resultado é a qualificação do acesso e da percurso do usuário dentro do sistema público de saúde.

Tele-educação
Outros serviços ofertados pelo Telessaúde correspondem à área de Tele-educação, com foco em duas atividades principais: as webpalestras e os minicursos.

As webpalestras são realizadas semanalmente e abordam temas variados da área da saúde. A demanda vem tanto das teleconsultorias – que repassa as dúvidas mais frequentes dos profissionais ou assuntos que eles sentem que estão sendo mais discutidos – quanto das instituições parceiras. Os temas são amplamente divulgados anteriormente e qualquer pessoa cadastrada no programa pode acessar. Além disso, após a gravação, as webpalestras ficam disponíveis em um acervo no site do Telessaúde, que já conta com mais de 400 vídeos.

Já os minicursos atendem a essas mesmas demandas, mas funcionam de maneira diferente. Eles têm um período de inscrição, com vagas limitadas, e são realizados mensalmente. O objetivo desse serviço é a educação permanente e que, dessa forma, o profissional sinta que sempre haverá um subsídio para sanar suas dúvidas, aprimorar sua formação continuamente e oferecer um atendimento mais qualificado. A apoiadora do projeto Luise Ludke Dolny afirma que “é um acompanhamento que não acaba. O curso pode ter se encerrado, mas os outros serviços estão a disposição dando conta das necessidades de formação dos profissionais”.

A coordenadora do Tele-educação, Josimari Tellino, reforça a importância desse projeto no cotidiano dos profissionais. “Quando o profissional de saúde sai da formação da graduação dispõe de um conjunto de informações, mas é no dia a dia que as dificuldades e as dúvidas começam a aparecer”.

Um exemplo recente dessas dificuldades foi o enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti em nosso Estado. Diante da necessidade de capacitação dos profissionais da saúde, a Tele-educação promovou vídeo-aulas e webpalestras voltadas principalmente para o controle dos focos do mosquito e o atendimento clínico.

Confira os dados de 2014 e 2015 de alguns serviços oferecidos pelo Telessaúde:

O destaque de Santa Catarina é o fato de que o estado consegue oferecer todos os serviços que existem dentro do programa nacional do projeto Telessaúde. Ainda assim, há perspectiva de melhora para o projeto, com o desenvolvimento de capacidade nos municípios para utilização das plataformas com seus próprios profissionais, para otimizar a rede e a capacidade de oferta de serviço. Assim, o Telessaúde será mais um gerenciador diante do ganho de protagonismo dos municípios. “A perspectiva maior que eu gostaria de imprimir nesses próximos anos é de que a gente consiga um desenvolvimento sustentável, que os municípios virem atores participantes e parceiros nesse processo”, destaca Calvo.

Telemedicina

Outro projeto que funciona juntamente com o Telessaúde é a Telemedicina. Ela nasceu no estado em 2005, com o objetivo de facilitar o acesso dos pacientes a exames médicos. Para isso, criou-se uma infraestrutura tecnológica que envia exames e faz emissão de laudos a distância por especialistas que não estejam necessariamente na mesma cidade ou região do paciente.

Na UFSC, o projeto nasceu em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde para o desenvolvimento do sistema operacional. Em 2010, Telemedicina e Telessaúde foram integrados, formando o Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde (STT). Agora, um único sistema oferece laudos a distância de diversas modalidades, acesso dos pacientes aos seus exames, webconferências, teleconsultorias e minicursos a distância.

Para o coordenador do Telemedicina de Santa Catarina, Aldo von Wangenheim, o principal impacto desse serviço na Atenção Básica é a resolutividade. “O paciente vai lá na Unidade Básica de Saúde e consegue resolver o problema dele. A unidade não é um despachante para outro lugar, onde a única contribuição é decidir pra onde o paciente vai”, explica. Ele ainda reforça que esse tipo de atendimento é melhor porque o paciente vai ser atendido por um profissional que conhece o ambiente onde vive, que tem convivência social com a pessoa e, dessa forma, pode indicar um tratamento que funcione dentro do cotidiano desse paciente.

Para contato e mais informações: https://telemedicina.saude.sc.gov.br

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